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Gripe A: Nós tomamos a vacina. E você?

Profissionais do Santa contam o que sentiram após receber a dose contra o vírus H1N1, que em 2009 matou nove blumenauenses. Especialistas explicam por que ocorrem as reações

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Vacina contra a gripé A em Blumenau por Cristian Edel Weiss, Cristian Weiss, para o Jornal de Santa Catarina, da RBS
Publicada originalmente no Santa em 14/4/2010


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Profissionais do Santa contam o que sentiram após receber a dose contra o vírus H1N1, que em 2009 matou nove blumenauenses. Especialistas explicam por que ocorrem as reações

CRISTIAN WEISS
BLUMENAU

Basta ir a um dos 33 postos de saúde com salas de vacinação, aguardar uns minutos e receber a injeção para se considerar imunizado contra a gripe A. O processo garante proteção contra o vírus H1N1, que ano passado atingiu 63 blumenauenses e causou a morte de nove.

A dose pode causar efeitos colaterais momentâneos, como dor muscular e vermelhidão no local da aplicação, febre leve ou dor de cabeça. As reações, semelhantes às que ocorrem com a vacina tríplice bacteriana (para tétano, coqueluche e difteria) e antitetânica, são normais e duram no máximo dois dias.

– Todas as vacinas injetáveis podem causar efeito colateral, faz parte do processo reativo. É sinal de que o corpo está respondendo ao estímulo e criando defesa própria – explica o diretor de Vigilância em Saúde, Marcelo Schaefer.

As doses contra a gripe A são compostas por vírus H1N1 morto que, ao entrar em contato com o organismo, estimula a produção de anticorpos. Segundo Schaefer, os efeitos colaterais estão relacionados diretamente ao processo inflamatório, desencadeado pela injeção, no local aplicado. Entretanto, não são todas as pessoas que apresentam sintomas. A maioria dos 25 mil vacinados em Blumenau relatou à Vigilância em Saúde apenas desconforto momentâneo.

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Nesta semana, jornalistas do Santa se imunizaram contra a gripe A. A seguir você confere o que cada um sentiu e as explicações de especialistas sobre os efeitos colaterais após receber a dose.

Dor local

Quinta-feira da semana passada fui ao Ambulatório Marilene Aguiar, na Escola Agrícola, tomar a vacina da gripe A. O local estava cheio de gente, mas em 10 minutos a atendente chamou minha senha. À noite, na cama, senti que a região onde a vacina foi aplicada estava dolorida. Tive dificuldade para dormir por causa da dor. Sexta-feira, ainda tive dor. Sábado, não sentia mais nada.

Priscila Sell, repórter

Todo efeito colateral surge como resposta do corpo ao processo inflamatório desencadeado pela vacina para estimular o organismo a criar anticorpos para combater o vírus. A dor é sinal da inflamação do músculo agredido com a inserção do antígeno (vírus morto ou inativo) e de substâncias usadas para potencializar a reação inflamatória. Na maioria dos casos, o desconforto é leve e pode durar de algumas horas até dois dias.

Sem reação após aplicação no braço

Tomei a vacina sábado, no Posto de Saúde Central, em Balneário Camboriú. Fui preparada para receber a aplicação na região da cintura, como haviam me informado colegas de Blumenau. Mas, para minha surpresa, o pic foi no braço. Em menos de um minuto eu estava vacinada e não senti dor nenhuma. Nem após a aplicação.

Isabela Kiesel, repórter

A aplicação da vacina é feita principalmente no músculo localizado logo acima dos glúteos porque é menos sensível à vacina. No entanto, pode ser aplicado no braço, como será feito com os idosos que tomarão também a dose da vacina contra a gripe comum, aplicada a partir do dia 24 de abril.

Dor de cabeça e febre

Tomei a vacina contra a gripe A no último sábado, em um supermercado de Itajaí. No momento da aplicação, não senti dor. Sábado à noite comecei a ter dores pelo corpo e dor de cabeça, que durou até segunda-feira à noite.

Melissa Aragão, editora assistente 

Dores musculares e febre são reações que o organismo desencadeia como resposta natural a inflamações, quando o corpo aumenta o fluxo de sangue para conduzir à região atingida os leucócitos (células de defesa, conhecidas como glóbulos brancos). A dor de cabeça é explicada como reflexo da mudança no perfil circulatório da meninge (membrana que reveste o cérebro) quando a pressão sanguínea aumenta para combater a inflamação.

Mitos e verdades da vacina contra a gripe A e H1N1 por Cristian Edel Weiss, Cristian Weiss, para o Jornal de Santa Catarina, da RBS, Blumenau
Reportagem foi manchete do Santa

Desempenho catarinense

Até ontem à tarde, Santa Catarina havia vacinado cerca de
800 mil
pessoas contra a gripe A. O Ministério da Saúde listou o estado entre as unidades da federação com melhor desempenho. Santa Catarina aparece ao lado do Paraná, Maranhão, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais
Mitos e verdades da vacina contra a gripe A e H1N1 por Cristian Edel Weiss, Cristian Weiss, para o Jornal de Santa Catarina, da RBS, Blumenau

Íngua

Tomei a vacina há uma semana. Cheguei na Estratégia de Saúde da Família Germano Puff, na Itoupava Norte, por volta das 10h, e fui atendida imediatamente, pois não havia fila. Além da dose contra o H1N1, tomei um reforço da antitetânica. À noite, as regiões onde foram aplicadas as vacinas ficaram doloridas. Também tive íngua, que sumiu em dois dias.

Cleisi Soares, editora assistente

A íngua é a manifestação da inflamação de um gânglio pertencente ao sistema linfático, responsável pela formação de anticorpos e pela defesa do organismo. O gânglio filtra células e bactérias contidas na linfa (líquido composto por plasma sanguíneo e glóbulos brancos) e pode inflamar caso detecte algum agente nocivo ao organismo. Após a vacina, o gânglio fica inchado e sensível.

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Indolor

Fui segunda-feira à tarde ao Ambulatório Geral do Centro, em Blumenau, onde tive que aguardar por 20 minutos até ser chamado – sete pessoas estavam na frente. A aplicação da vacina, porém, foi rápida e indolor. No dia seguinte, nem lembrava que havia me vacinado.

Rafael Waltrick, repórter

A reação à vacina é individual. Depende da construção genética e do preparo do sistema imunológico de cada indivíduo no momento da vacina, que pode ser influenciado em alguns períodos por falta de sono, estresse ou má alimentação.

Combinação de vacinas em gestante

Tomei a vacina dia 24 de março, junto com o primeiro grupo de risco, porque sou gestante. Havia apenas três pessoas na minha frente no Ambulatório Geral da Fortaleza. Tomei também a vacina antitetânica, mas não tive nenhuma reação.

Giovana Pietrzacka, repórter

As vacinas aplicadas em gestantes e crianças não contêm as substâncias que potencializam a ação inflamatória, presentes nas doses aplicadas nos demais grupos. A reação imunológica imediata é menor, mas ao longo do tempo se desenvolve normalmente como no tipo de vacina aplicada nas outras faixas etárias.

Outros sintomas

Vermelhidão

Surge pelo aumento do fluxo de sangue que leva os anticorpos para o local da injeção. Dura poucas horas após a aplicação da vacina.

Gripe incubada

Pessoas com sintomas iniciais de gripe podem desenvolver a doença logo após a vacina. Isso acontece porque o sistema imunológico que estava combatendo a gripe comum passa a dividir atenção com a vacina. Assim, o corpo concentra esforços na formação de anticorpos e combate do novo invasor, permitindo a evolução da gripe comum no período. O recomendável pelos médicos é aguardar a recuperação do organismo contra a gripe comum para depois tomar a vacina contra a gripe A.

Calendário de vacinação

Até ontem, 25 mil pessoas se vacinaram contra a gripe A em Blumenau. O objetivo da Vigilância Epidemiológica é imunizar 64 mil blumenauenses. O calendário de vacinação segue até 21 de maio:

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Até o próximo dia 23, serão vacinados adultos de 20 a 29 anos
 Entre 24 de abril e 7 de maio a vacina contra gripe A será aplicada a idosos com doenças crônicas. Nesse período, também ocorre a campanha de vacinação contra a gripe comum
 De 10 a 21 de maio, serão imunizados adultos de 30 a 39 anos
 Desde o início da campanha, em 8 de março, já foram vacinados funcionários de unidades de saúde, grávidas, pessoas com problemas crônicos e crianças de seis meses a dois anos. As gestantes que não tomaram a vacina, podem tomar em qualquer período

Fontes: Pneumologista do Hospital de Santa Catarina, Rogério Nadin Vicente, e diretor da Vigilância Epidemiológica de Blumenau, Marcelo Schaefer


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